Origem da Devoção

Várzea Alegre - 07/09/2012 - Publicado às 16:42

Diz a tradição que a devoção nos foi transmitida de Tereza Maria de Jesus, primeira esposa de Papai Raimundo, com ele casada em 1788. D. Tereza possuía, num quarto de orações em sua casa, uma pequena imagem de São Raimundo Nonato e a todos falava de sua vontade de construir uma capela para o seu santo. Lamentavelmente, esta não viu concretizado o seu sonho. No dia em que nasceu seu primeiro neto, feliz do evento, tomou a criança em seus braços e gritou de alegria: “Viva São Raimundo Nonato!!!”. E tombou sem vida.

Porém, não morreu com D. Maria Tereza de Jesus o desejo de se erigir a sonhada capela. O certo é que, em 1852, surgiu em Várzea Alegre um padre recém-ordenado da cidade de Assaré, Pe. José Pontes Pereira, e sem ter onde exercer sua missão sacerdotal, estava o jovem padre a mercê do que lhe pudesse surgir. Foi quando o Major Joaquim Alves Bezerra o contratou para celebrar em Várzea Alegre as missas de Natal, Ano Novo e Dia de Reis. O convite foi aceito pelo Padre Pontes. As missas foram rezadas com grande comparecimento de fiéis.

Agradando-se do lugar e conferindo a religiosidade do povo, o Pe. José Pontes Pereira falou a todos de um possível acordo: se lhe dessem uma casa para morar, comprometia-se a edificar a tão sonhada capela de São Raimundo. Imediatamente, Pe. Pontes solicitou ao Bispo Diocesano de Pernambuco (ainda não existia bispado no estado do Ceará) a licença eclesiástica para a edificação da capela, a qual receberia como padroeiro São Raimundo Nonato. O Bispo não tardou em conceder a licença, mas com uma obrigação: tinha de ser doada ao Santo toda a área em que fosse edificada sua Igreja, tornando-se assim seu patrimônio (duzentas braças em quadra). Assim, em 1854, foram iniciados os trabalhos de construção da capela.

Em decorrência de operários hábeis e da situação financeira de então, os trabalhos tiveram que parar por algum tempo e a obra só ficou concluída em 1855. no dia 02 de fevereiro de 1856, o Pe. Manoel Caetano realizou a bênção da capela de São Raimundo Nonato.

Fiel à sua palavra, Pe. Pontes aqui permaneceu na qualidade de capelão, dando-nos sua assistência espiritual até 11 de maio de 1862, quando faleceu vítima de “Cólera morbus”. Consta que, nesse período, quase todo o interior da província do Ceará foi acometido por este mal. E o Pe. José Pontes Pereira se oferecera ao Senor, em holocausto: -“Fazei de mim, Senhor, a última vítima, nesta terra, deste terrível mal e poupai esta humilde e sofrida gente”. Seu túmulo, isolado dos demais, é reverenciado pelo povo do lugar onde hoje se ergue a capela de Santo Antônio. Foi ele o consolidador da nossa de vocação à São Raimundo Nonato.

A freguesia de Várzea Alegre, no entanto, só foi criada pela Lei No 1076, de 30 de novembro de 1863, emanada de D. Antônio dos Santos, primeiro Bispo do Ceará. Foi, assim, desmembrada da de Lavras. Sob a invocação de São Raimundo Nonato, teve como seu primeiro titular o Pe. Benedito de Souza Rego, natural de Arneirós, nomeado por provisão de 30 de dezembro de 1863, permanecendo de início de 1864 até fevereiro de 1875.

FATOS CURIOSOS SOBRE A DEVOÇÃO À SÃO RAIMUNDO:

A imagem de São Raimundo Nonato que atualmente se encontra na torre da nossa Igreja Matriz foi confeccionada pelo artesão Zé de Toinho, e a imagem que se encontra disposta no Altar-Mor foi adquirida no paroquiato de Padre Otávio. Esta, por conseguinte, veio subistituir a imagem de Santo Ambrósio, que até então era jocosamente venerada pelos varzealegrenses como sendo de São Raimundo.

A imagem de São Raimundo que se encontra na Casa de Saúde desta cidade foi ofertada pelo Padre Otávio a D. Zefa do Sanharol, que posteriormente a doou ao seu neto, o Dr. Pedro Sátiro, para que fosse enfim o Patrono daquela unidade hospitalar.


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