História do Padroeiro

Raimundo, cognominado Nonato, filho de pais nobres, porém destituídos de fortuna, nasceu em 1204, em Portel, na Catalunha. Menino ainda, mostrava muita propensão para práticas de piedade e já era fiel cumpridor dos deveres. O pai, porém, observando no filho uma certa inclinação para o estado religioso, encarregou-o da administração de uma pequena fazenda. Raimundo obedeceu prontamente. A vida tranqüila do campo, em vez de absorver-lhe as idéias religiosas, ainda mais as favoreceu. Foi na solidão que no espírito lhe amadureceu a resolução de dedicar-se unicamente a Deus, na Ordem de Nossa Senhora das Mercês, chamada também de Misericórdia da Redenção dos Cativos; Ordem que, havia pouco, tinha sido fundada por Pedro Nolasco. Nesta resolução grandemente influiu a devoção a Maria Santíssima, sua divina Mãe, a quem se consagrou inteiramente.

No sítio onde estava, havia uma pequena capela, dedicada à Rainha do Céu. Lá, aos pés do altar de Nossa Senhora, Raimundo passava horas, em doce colóquio com a Mãe de Jesus. As flores mais belas que encontrava, levava-as à capela, para enfeitar o altar e a imagem da Mãe protetora. A flor, porém, de todas a mais preciosa, que ofereceu a Maria, foi a pureza do coração, junto com a promessa de entrar na Ordem já mencionada.

Foi por intermédio do padrinho, o Conde de Cardona, que alcançou o consentimento do pai para se incorporar à Ordem das Mercês. Sem mais delongas, seguiu para Barcelona, onde, das mãos do fundador, recebeu o hábito branco com a cruz azul-vermelha.

Raimundo, uma vez membro da Ordem, dedicou-se ao estudo das ciências teológicas, principalmente da arte hetórica e recebeu o sacramento da Ordem. Pregador eloqüentíssimo, ardente de zelo pela causa de Deus pela salvação das almas, bem fundado na piedade, o jovem sacerdote apresentava todos os requisitos de missionário, como a Ordem necessitava para a difícil tarefa de resgatar a Algéria, onde libertou cento e cinqüenta cristãos das mãos dos mulçumanos.

No ano de 1235 vemo-lo em Roma, para onde o conduziram negócios urgentes da Ordem. Alcançada a aprovação pontifícia da Regra, com a bênção do Papa Gregório IX, voltou para a África. Lá esteve a satisfação de poder libertar mais de 228 cristãos e entregá-los às respectivas famílias. Quando, porém, os recursos começaram a falhar, Raimundo ofereceu-se a si mesmo como refém, pela liberdade daqueles cristãos que mais sofriam e cuja fé em maior perigo se achava a naufragar. Com bom ânimo sofreu todos os maus tratos, a inclemência do sol abrasador africano e as torturas a que os mulçumanos o sujeitavam. Com palavras de conforto e pelo exemplo, reanimava os pobres cristãos, que dificilmente suportavam as cadeias da escravidão. Uma atenção particular dava àqueles infelizes que tinham renegado a fé cristã, para obter um alívio nas torturas e um tratamento mais humano por parte dos Sarracenos. Tão insistentes vieram os pedidos, tão irresistíveis os argumentos, que muitos dos infelizes apóstatas voltaram arrependidos ao seio da Igreja e faziam penitência. O zelo estendeu-se até aos próprios Sarracenos, aos quais pregou o Santo Evangelho, e com tão bom resultado que, entre eles, alguns dos mais nobres se converteram ao cristianismo.

Isso fez desencadear uma terrível tempestade contra o santo missionário. Os magistrados Sarracenos condenaram-no a penas crudelíssimas e só o receio de perder resgates fez com que não condenassem à morte. Mas os juízes desumanos excogitaram um modo verdadeiramente diabólico de não só cruciar o homem de Deus, mas impossibilitar-lhe a pregação. Mandaram-lhe perfurar com ferro em brasa os dois lábios e fechá-los com cadeados. Assim, pensaram que o nobre homem não falaria mais de Cristo e não enganaria os filhos do grande profeta. Raimundo sofreu durante oito meses prisão duríssima e atrozes torturas. Se os lábios lhe estavam vedados de pregar, mais eloqüentemente falavam as feridas, mais alto bradavam as cadeias, mais persuadiam as dores e a resignação do servo de Deus. O cárcere era constantemente visitado por cristãos e sarracenos que, vendo o santo missionário no martírio, lhe edificavam pelo exemplo raríssimo que lhes dava fé e constância.

Com a chegada de novos missionários, veio também a libertação para Raimundo e, com a libertação, uma nova era de trabalhos apostólicos. Chamado pelo superior à Espanha, para lá seguiu onde o esperava alta e justa recompensa. O Papa Gregório IX tinha-o elevado à dignidade de Cardeal da Santa Igreja, em atenção a suas altas e raras virtudes, como também aos seus grandes merecimentos. A entrada do missionário em Barcelona foi equivalente a uma verdadeira apoteose. O povo barcelonense levou-o entre aclamações jubilosas, ao palácio cardinalício. Raimundo, porém, preferiu continuar a vida de religioso e trocou os salões do palácio pela cela do convento.

Quanto alguém externava estranheza por vê-lo proceder assim, Raimundo, com a amabilidade que lhe era própria, respondia: “humildade e dignidade são duas irmãs que se querem muito e mutuamente se apóiam”.

No ano de 1240 o Papa o chamou à Roma. Numa viagem a Cardona, onde morava seu padrinho e benfeitor, o cardeal adoeceu gravemente. Sentindo a morte aproximar-se, Raimundo preparou-se para a última e grande viagem. Recebeu o Santo Viático das mãos de um anjo e morreu no dia 31 de agosto de 1240, na idade de 37 anos. O Papa Alexandre inseriu-lhe o nome no catálogo dos santos da Igreja.

O Conde de Cardona, a cidade de Barcelona e a Ordem a que Raimundo pertencia disputavam entre si a posse do corpo do santo. Para se obter uma decisão imparcial, o cadáver do mesmo foi colocado em uma carruagem puxada por uma mula cega. Esta, guiada por forças invisíveis, tomou rumo para a capela de Nossa Senhora, no alto da montanha, onde Raimundo tinha lançado o fundamento de sua vida religiosa. Lá, o sepultaram e da capela foi feito um templo magnífico e um santuário freqüentadíssimo. São Pedro Nolasco erigiu no mesmo local um convento da Ordem.

METAS COMUNICAÇÕES 2012 © - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS